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Wednesday, February 2, 2011

Entrevistando Fernanda Young

Autora, actriz, argumentista e apresentadora de TV. Uma mulher completa e com conteúdo. Fascinada por Fernando Pessoa, a vida nocturna lisboeta e as peculiaridades da sociedade moderna, eis Fernanda Young, a entrevistadora no lugar de entevistada.

O que irrita Fernanda Young?
Grosseria. Não suporto gente grossa. Gente que destrata. Gente que tem páfia.

Qual foi o projecto mais desafiante em que participou até hoje?
O lançamento do meu primeiro livro foi o momento mais excitante da minha vida. Pensei: «Uau! Como? Aconteceu!» Era muito jovem, tinha 25 anos, não achava que ia conseguir. Foi uma grande surpresa, quando recebi um telefonema a dizer «aqui é a editora tal. A gente quer publicar o seu livro». Foi a coisa mais desafiante, porque era um novo mundo que se abria para mim. Algo que eu sonhava, mas que era um sonho quase impossível. Não conhecia ninguém, nem tinha meios de conseguir qualquer coisa que não fosse de forma legítima e acabou por acontecer da forma mais poética.

E desde então já editou quantos livros?
Nove: oito romances e um de poesia. E também alguns de roteiro.

Falando em literatura, sei que é uma grande admiradora de Fernando Pessoa. De onde vem esse interesse?
Na minha adolescência era - sou - uma grande leitora de poesia, uma grande leitora de Fernando Pessoa. Gostar de Fernando Pessoa era vital no meu meio, na minha juventude… quando eu percebi que a minha 'praia' era literatura, juntei-me com pessoas que também liam, e Fernando Pessoa era - e ainda é - a grande união de entre todos. Não há ninguém que não goste de Fernando Pessoa. Aliás, é impossível! Pode até não gostar-se tanto de um ou outro heterónimo, mas não gostar de Fernando Pessoa, não perceber a sua glória, é impossível.


Além de Fernando Pessoa, que outros nomes portugueses tem como referência?
Eça de Queiroz, Saramago. Saramago é um orgulho para a nossa língua, saber que somos detentores de um Nobel . Digo ‘somos’ porque «a minha língua é a minha pátria», então a minha pátria é a língua portuguesa. Mas são muitas as referências, inclusive, autores mais contemporâneos. Quando estive em Portugal da primeira vez, fui muito bem recebida por pessoas que me apresentaram a vários autores e saí daqui abarrotada de livros. É um facto que a língua portuguesa me remete a inúmeras experiências literárias… e poder ler as obras na sua forma original – imagina, poder ler na língua portuguesa o original! É uma sorte.

Portanto, esta não é a sua premeria vez em Portugal…
Não, é a segunda. Da primeira vez, vim em trabalho, promover o meu livro, Os Normais. Foi uma delícia! Passei muitos dias aqui. Engordei horrores! Desta vez também vim um pouco em trabalho, para reatar alguns nós. Vamos ver se eu consigo voltar para ficar por cá por mais tempo...

E o que já conhece de Portugal?
Infelizmente, não muito. Mas em Lisboa eu conheço Alfama, Chiado, Bairro Alto… todos os lugares! Belém, a Torre de Belém, já coloquei o pé no local onde saíram as caravelas. Até chorei (risos). Comi em todos os melhores restaurantes. Vivi a vida nocturna de Lisboa. Já fui ao Lux – não desta vez, mas da outra. E ao Bairro Alto, que é uma loucura, com toda aquela gente nas ruas, vibrando numa essência boémia e charmosa. Realmente, são dois espaços diferentes em que eu vivi Lisboa de uma forma muito intensa. Também fui a Cascais e a Sintra. Mas ainda não fui ao Porto, que é um sonho antigo meu.

Falou em Os Normais, que foi um grande sucesso e consequentemente adaptado para televisão. Mais recentemente assinou o argumento de Separação?!, actualmente em exibição na TV Globo Portugal. O que se segue?
Brevemente estreará Algo Errado, o novo programa da Globo, com Jorge Fernando e Marisa Orth, que conta a história de um gay, que sofre um acidente – cai-lhe uma bola de espelhos na cabeça, numa discoteca – e deixa de ser gay. A trama apresenta um conflito engraçado, de inversão de valores. Afinal, a nossa sociedade – grosseira e homofóbica – espera que todos sejam heterossexuais e aqui a situação inverte-se: estão todos indignados com eles; o ex-gay e a ex-gorda.
E também Duas Histéricas que é o meu programa de turismo, feio para a GNT, que espero que passe ena TV Globo Portugal, como aconteceu com Saia Justa e Irritando Fernanda Young. Duas Histéricas é um programa de turismo, em que a personagem principal é roubada. Então é divertido, porque mostra os países e as suas cidades, sem que tudo neles pareça incrível para os turistas. Não que os países sejam maus, mas os turistas passam por colapsos durante as suas viagens, que são engraçadíssimos, e os programas tradicionais de turismo mostram sempre tudo perfeito, uma gente linda… vocês vão ver a quantidade de erros que eu cometi com o meu cabelo e… tudo errado! Até tatuagem eu fiz, na Terra Santa!

Por falar em tatuagens, sabe dizer-nos quantas tatuagens tem ou já perdeu a conta?
Já (risos). Às vezes ainda tento contá-las, mas eu tenho muitas tatuagens pequenas, então: um, dois, três, quatro, cinco… não dá para contar!

Alguma feita cá?
Esta (no antebraço direito)! De Fernando Pessoa, «Navegar é preciso». Fiz, aqui, em Lisboa. Fiquei muito feliz, porque quando cheguei a Portugal (da primeira vez), passei a entender uma boa parte das coisas que eu não entendia a meu respeito. Isso é curioso. É a pátria… é a Mãe… na verdade, a pátria é o Brasil… mas é Mãe. Foi o entendimento de um vazio, que eu não entendia sobre mim. E graças ao mau gosto da falta de auto-estima nacional no Brasil, de ficar fazendo piadas e invertendo coisas, tinha uma percepção totalmente errada de Portugal. Aí, quando vim cá e me deparei com uma inteligência emocional muito forte, sentido de humor e metáforas sofisticadas que os portugueses têm, e beleza física, entendi que somos bonitos porque somos portugueses. Então, foi bom. Deu-me auto-estima. No Brasil nós temos uma tendência de excluir a auto-estima para ver se a gente fica sossegada. É assim que você domina um povo.

Voltando à televisão, gostaria de escrever algum produto específico para o mercado português?
Com certeza. Isso é bem claro. Quando eu vim aqui da primeira vez, tinha acabado de fazer o Saia Justa e então pensei: «Nossa, eu podia fazer um programa aqui. Ficar por aqui…». Depois, obviamente, voltei para o Brasil, e na sequência criei o Irritando Fernanda Young, fiquei por lá e tive mais filhos. Talvez pudesse vir, desde que conseguisse conciliar a minha vinda com as minhas obrigações no Brasil, como roteirista.
Quero também trazer o Duas Histéricas aqui – que eu acho que é óptimo. Fazer um programa sobre Portugal, com essa perspectiva, para o meu público no Brasil, que é grande, é bacana! E, talvez, quem sabe, fazer roteiro aqui também. Não só para televisão, mas para cinema ou teatro. A ideia é realmente essa. Mas preciso deixar bem claro à minha família que, para mim essa terra também minha... e, desculpem, mas quem vos mandou irem para lá levaram a língua? Agora, vão ter de me aguentar. A culpa é vossa (risos).

Também acontece o inverso. Há portugueses que querem ir trabalhar para o Brasil. Por exemplo, o actor Ricardo Pereira está agora no Brasil. Como vê este intercâmbio de actores os dois paises?
Acho-o lindo (risos). Acho -o um grande actor, apesar de não o conhecer pessoalmente nem nunca ter trabalhado com ele. Acho que é cabível. É tão natural para o português a aceitação do brasileiro, que faz todo o sentido que o inverso seja idêntico. E o Brasil está receptivo. O povo brasileiro é um pouco muito receptivo. E é totalmente saudável que Portugal e o Brasil, culturalmente, se misturem.

Última pergunta: televisão, cinema ou teatro?
Televisão. E não tenho constrangimento em dizê-lo, embora seja um choque quando o faço no Brasil. Às vezes sou mal interpretada, por ser escritora, como se fosse trivial gostar-se de televisão. Mas eu gosto.

Sunday, July 19, 2009

Conversas de Gaja!

Quem disse que menino não entra?! Kiara Timas, Ana Maria Velez, Diana Monteiro e Helga Poser são só meninas e embora digam que não, os rapazes vão mesmo ter de esperar… O que vale é que nós até gostamos!

Foram escolhidas entre três mil raparigas para formaram a primeira e única banda feminina dos Morangos com Açúcar. O que é que as Just Girls têm…
KT
– Tanta coisa!!
DM – Pois… Esta banda quando surgiu foi para ser diferente das outras girlbands já existentes no nosso país. Já havia um público-alvo definido [pelos Morangos com Açúcar] e, como a Ana [Maria Velez] costuma dizer: nós não somos as rivais das nossas fãs mas sim as amigas.

Just Girls é só para raparigas?
Não!!!!
HP – Just Girls deve-se apenas ao facto de sermos quatro raparigas. Agora, todos os rapazes podem, devem e até fazemos questão que entrem no nosso mundo!
KT – E aliás a nossa banda é composta apenas por rapazes.

Mas a Edição Especial e Limitada de Play Me! é!
DM – Não…
Eu comprei!
[Risos]
DM – Pois tu tinhas me dito que a tinhas comprado!
KT – É muito cor-de-rosa, não é?! Não é só para raparigas mas é aquilo que nós somos.

Just Girls, registo homónimo de estreia, foi ouro em menos de 24 horas e chegou ao topo da tabela nacional de vendas. Play Me! chegou a platina, mas ficou-se pelo segundo lugar. Afinal, qual dos dois é o melhor?
HP – Não há melhor nem pior. Infelizmente, são tempos de crise e o que aconteceu foi o lançamento do nosso segundo álbum coincidir com o novo de Tony Carreira e [no que toca a vendas] ninguém bate Tony Carreira em Portugal!
AMV- Mas é da mesma editora; é da mesma família, não faz mal…
HP – Mas fez parte e…. Acho que não há um melhor nem pior; embora sejam os dois diferentes têm a mesma essência e, portanto, são ambos fantásticos e estão os dois no nosso coração.

Adaptadas para português, grande parte dos temas interpretados pelas Just Girls tem versões originais e inéditas, escritas em inglês. Poderá haver, num futuro mais ou menos próximo, um registo internacional, com esses temas anglo-saxónicos?
DM
– São coisas que nós neste momento não estamos a pensar porque, vê bem: lançamos o Play Me! há muito pouco tempo; lançamos agora o Ao Vivo no Campo Pequeno e estamos tão focadas nesta tournée que só daqui a uns bons meses é que nós vamos pensar no que vamos fazer a seguir. Para já, estamos focadas em surpreender os fãs nos concertos.

Com a edição do Ao Vivo no Campo Pequeno além de compilarem numa só caixa todos os vossos sucessos , provam que mais do que quatro caras bonitas as Just Girls também cantam. Faz parte do vosso futuro, quer enquanto grupo ou em nome individual, continuar a cantar?
KT – As Just Girls cantam e gostam de música, quer como grupo ou em nome próprio. A música sempre fez parte das nossas vidas, desde que nascemos, e acredito que, independentemente daquilo que o futuro nos reserve, a música será sempre uma boa parte de nós.

Além do Coliseu do Porto e Campo Pequeno, já pisaram os palcos principais Rock In Rio e Pavilhão Atlântico. Qual o próximo grande passo?
AMV - Além do grande e emblemático Coliseu de Lisboa, eu, pessoalmente, adorava poder actuar na minha cidade, que é Londres. Era a loucura!
DM – Eu tenho sorte que já actuei na minha cidade…
KT – Também eu!
HP – Eu não e adorava ir a Paris. Infelizmente ainda não surgiu o convite, mas eu fico à espera!
[Risos]

Nas Férias de Verão tivemos a oportunidade de ver as Just Girls em biquíni. Para quando uma produção fotográfica em trajes menores?
[Risos]
DM- Tivemos?!
KT – Sim, nos Morangos.
AMV – Nos Morangos!
DM – Ahhh… Sim! Nós aparecemos em biquíni porque fazia todo o sentido, no contexto da série, era verão, estávamos na praia... mas eu duvido que, para um miúdo de 12, 13 anos, uma produção desse género faça sentido. E também não é por aí que queremos ir…
AMV – Até porque para muitos miúdos a Diana [Monteiro] continua a ser a Carolina, eu a Anabela, e por aí fora… nesse sentido, para o nosso público, não me parece que este neste projecto faça qualquer sentido, pelo menos para já…
KT – Nem tão pouco faz parte das nossas prioridades… além de que estaríamos a chocar os nossos fãs, coisa que eles não merecem.
HP – Exacto!

Thursday, March 5, 2009

Ignorância XL

Com dois álbuns editados e mais de cinco mil discos vendidos, o rapper português Chullage é, indubitavelmente, uma referência no panorama musical nacional para qualquer artista independente. Em paralelo à sua carreira musical, Nuno Santos é participante activo em um projecto social que apoia as causas de jovens afro-descendestes na Margem Sul, através de artes urbanas. Desse projecto resultou a associação Khapaz, sedeada na Arrentela, concelho de Seixal.

Quando é que um artista é independente?
Um artista é independente quando tem controlo sobre a sua criatividade e ideologias e não está sob a pressão de uma major label: a produção e distribuição do seu trabalho depende de si. Hoje em dia há uma maior liberdade para se ser independente, graças às novas tecnologias, como a Internet. O artista promove-se autonomamente e já não precisa de agradar rádio, televisão ou outras entidades capitalistas.

Como justificas o teu sucesso comercial?
Isso do sucesso comercial é relativo… mas não estou a dizer que a minha música não é comercial. Quando se tem um álbum à venda na prateleira de uma loja, está-se a assumir a comercialização daquele produto. Mas quando comecei, a novidade das mensagens das minhas letras acabou por atrair os jovens, ricos e pobres, que se reviam naquelas palavras de desigualdade e protesto. E a própria musicalidade das faixas surgiu como alternativa ao tipo de música que se comercializava – com sucesso – na altura.

A música é a tua arma na luta contra a exclusão social?
A musica é um instrumento e não uma arma. Utilizo-a para transmitir a minha mensagem; como meio de vincular meus ideais.
Mas um activista não é só um activista porque protesta. Não vale de nada criticarmos se depois ficamos de braços cruzados e não fazemos nada para inverter as causas do nosso descontentamento...

Consideras-te um político?
Não! Não… aliás, nos últimos tempos, a palavra político é aquela que me causa mais descrédito. Políticos, partidos, governos… não acredito numa politica parlamentar, onde para tudo se exige uma série de burocracias para que, no final, os beneficiados sejam sempre os mesmos… gosto e tenho o privilégio de poder fazer circular as minhas ideias através da minha música, mas não sou nem me identifico como politico e …

No tema Os Tempos Mudam, do álbum Rapresálias (2001), procuravas a velha Arrentela. conseguiste encontra-la?
Não encontrei, nem a vou encontrar. Procurar a velha Arrentela é uma metáfora. Os tempos mudaram, as pessoas mudaram, o mundo mudou… na rua as caras são outras, alguns emigraram, à procura de uma vida melhor, outros imigraram... Não espero encontrar a velha Arrentela, mas gostava que os jovens de agora construíssem uma nova Arrentela, com que se pudessem identificar.

E é nesse sentido que a associação de inclusão social, de qual fazes parte, a Khapaz, trabalha?
Primeiramente, somos uma associação cultural. A palavra inclusão tem dois sentidos e por essa mesma razão prefiro evita-la. São os jovens que devem definir o seu itinerário de inclusão. Não somos nós nem os programas do aparelho central que o definem. Na Khapaz, tentamos, através da música e da cultura, pôr esses mesmos jovens a reflectir, para que percebam onde estão, como aqui chegaram e para onde vão. Queremos que eles entendam que têm responsabilidade pelo seu futuro e que a mudança também depende deles.

A associação vive para a música ou graças a ela?
A associação vive, não só para a música mas para a todas as formas de expressão de cultura urbana, e não apenas ou graças a ela. A Khapaz é o suporte ideológico para a expressão/libertação destes jovens em várias áreas, como: vídeo, graffiti, design, música e dança... Hoje em dia e felizmente, a associação conta com alguns apoios institucionais mas o objectivo é, cada vez mais, poder viver daquilo que constrói.

Depois de Rapresálias e Rapensar (2004), que género de rap vem aí?
A nível da sonoridade, novos instrumentos. A nível da palavra, continuarei a promover as minhas ideias, com amor, muita expressão, muita paixão, muita verdade, muito protesto… continuará a ser rap de consciencialização.

Quem, em Portugal, tem Ignorância XL?
Todos nós… há algumas semanas atrás morreu um miúdo, que foi baleado pela polícia… no entanto, na comunicação social só se ouve falar no Cristiano Ronaldo e em outras psudo-celebridades. Somos todos dotados de ignorância… cada vez mais XL.

Friday, February 27, 2009

Sabrina

É o nome artísitco de Teresa Villa-Lobos (26), a menina bonita de Setúbal, benjamim do cantor popular Emanuel, que venceu o Festival RTP da Canção em 2007. Esteve a apenas três pontos de levar as cores da nossa bandeira à final do Eurofesival, mostrando que a música que em Portugal tanto se discrimina é bem aceite aos olhos – e ouvidos – da Europa.

A entrevista é minha, a foto... é FHM!

Dois anos depois de venceres o Festival da Canção, o que mudou?
Na minha vida mudou sobretudo o lado profissional e também, de certa forma, a intensidade com que vivia a minha vida a nível musical. Passei a cantar a solo – até então cantava na girlband Teenagers – e deixei de ser Teresa para passar a ser Sabrina.

Segundo apurei, há muita dificuldade em conseguir uma cópia original do seu primeiro registo a solo, Dança Comigo (2008). Houve até quem lhe chamasse um Van Gogh da música ligeira portuguesa. Também o vês como uma obra-prima?
Não sabia [que lhe chamaram um Van Gogh]! É uma novidade, não fazia ideia… mas sem dúvida que o Dança Comigo, quer o álbum quer o tema, vai marcar para sempre a minha vida. Não sei se pode ser considerada uma obra-prima ou não mas para mim é, na medida em que me fez alcançar um sonho que foi vencer o Festival da Canção. Cada um tem a sua opinião, para mim é a minha obra-prima; não foi composta nem produzida por mim mas sinto que faço parte dela e é, sem dúvida, a grande música da minha vida.

O álbum é uma verdadeira homenagem ao Festival da Canção: A Desfolhada, Conquistador, e Ele e Ela são apenas alguns dos temas vencedores do certame que integram este trabalho. A escolha do registo destes temas está relacionada com a tua participação no espectáculo?
Em parte, sim. Foi com o Festival da Canção que eu me lancei na música portuguesa, por isso, fazia todo o sentido um trabalho que incluísse temas do Festival e, ao mesmo tempo, fazer uma homenagem a outros vencedores.
Foi também a fórmula pensada para ajudar a prender o público durante os concertos. É muito complicado, hoje em dia, para um artista quem se propõe a utilizar apenas temas originais, porque a maior parte das pessoas só conhecem aquilo que passa na televisão ou ouvem na rádio. Estas canções, mais conhecidas, de outros festivais, faz com que as pessoas participem e que se interessem pelo espectáculo.

Já antes da participação na Eurovisão, e enquanto membro do duo feminino Teenagers, interpretaste alguns temas que foram representantes de Portugal neste mesmo concurso musical europeu. Foi presságio?
(Risos) Isso foi uma coincidência. Na altura, quando estava nas Teenagers, esses temas não foram utilizados com o propósito de lembrar o Festival da Canção. Eram temas que passavam, que as pessoas se lembravam, e que davam para tocar nas várias gerações como temas antigos. Ainda hoje, crianças e adolescentes conhecem essas músicas. Foi apenas uma coincidência.

Mas já eras fã do Festival?
Claro que quando era mais nova acompanhava o Festival da Canção. Era quase que obrigatório juntar a família toda para ver o programa. Com o passar dos anos, eu, como todos nós – e não acho que seja só pela culpa dos maus resultados – fui deixando de dar importância ao evento e, confesso, houve uns anos em que deixei de o assistir. No entanto, dois ou três anos antes da minha participação, comecei a seguir o Festival novamente, uma vez que também comecei a cantar profissionalmente e interesso-me por todos os eventos musicais que há no nosso país. Depois surgiu a oportunidade da minha participação, e sim, hoje sim, sou uma fã do Festival da Canção.

Qual consideras ser a canção da tua vida?
[Pausa] Ai! A canção da minha vida… ainda sou tão nova. Mas para não estar aqui a fazer uma retrospectiva de todas as músicas que me marcaram, vou ter que eleger Dança Comigo [(Vem Ser Feliz)], por ser a música responsável pelas recentes conquistas da minha vida. Não faria sentido escolher outra.

Nessa mesma canção, ofereces a lua, o sol e o mar a quem dançar contigo. Trata-se de um convite para viver em Setúbal?
[Risos] Não! Eu ofereço o mar, o sol, a lua… para convencer as pessoas a dançarem comigo, sem lhes pedir de uma forma tão directa! Dança comigo e… dou-te mais qualquer coisa em troca. Não sei, se calhar há alguém que não queria dançar comigo e então e eu tenho de fazer um bocadinho de chantagem e dar mais qualquer coisa… trata-se apenas de uma letra, não foi com alguma intenção de convidar alguém para o que quer que fosse.


Mais fotografias destas de Sabrina nas páginas da revista masculina FHM de Março 2009. Já nas bancas!

Friday, February 20, 2009

Gutto

De Corpo e Alma na música, Augusto Armada, 36 anos, licenciado em direito, mas é como Gutto que o público melhor o conhece. Desde os Black Company às inesquecíveis parcerias com o amigo e sócio Boss AC, passando pelos álbuns da carreira a solo e o regresso dos Black Company, Gutto tem uma história que merece ser contada…

Qual o estado actual da música em Portugal?
Há música boa e música má. Em Portugal sempre se fez música com qualidade, assim com sempre houve artistas menos bons.

E o teu trabalho, em qual dessas duas vertentes se integra?
Não me cabe a mim avaliar isso. Faço a minha música, que é aquilo que me dá prazer, e o resto vem naturalmente… mas dentro da minha área, quer no hip-hop ou no R&B, faço o melhor que posso e sei.

Há quem diga que vives na sombra do Boss AC…
(Risos) Acho que já tenho currículo e trabalhos suficientes para não viver na sombra de ninguém. Eu e o AC sempre fomos parceiros. Felizmente, entendemo-nos muito bem a trabalhar em conjunto e as nossas parcerias têm resultados espectaculares. Temos sempre muito gosto em trabalhar um com o outro, até porque eu sou fã dele e acho, até certo ponto, que ele também é meu fã. Mas não posso negar que as pessoas pensem isso, até porque ele teve um sucesso estrondoso e quando isso acontece as pessoas têm tendência de dizer isso. Mas se retirares o sucesso comercial, ou de vendas e discos de platina, sombram dois músicos que gostam de fazer música, gostam de fazer o seu trabalho, e gostam de trabalhar em conjunto. Mas eu tenho o meu estilo e ele tem um estilo completamente diferente. As duas coisas não se misturam minimamente.

Dez anos depois do último disco, os Black Company, pioneiros do hip-hop em Portugal, estão de volta. Como e porquê este regresso?
Eu tive oportunidade de experimentar o R&B nos três álbuns a solo que fiz. Entretanto, claro, o bichinho do hip-hop nunca me deixou… temos uma produtora [NoStress Records], onde produzimos para outros artistas; não produzíamos em nome próprio, mas produzíamos para outros artistas. E quer dizer... estas circunstâncias proporcionaram que eu e os outros elementos dos Black Comapany nos reuníssemos, depois surguiu a oportunidade de voltarmos a trabalhar juntos. Foi uma questão de vontade, de saudades uns dos outros e de fazermos musica juntos. Não é nada de muito complicado.

Mas não eram quatro?
Eramos… quer dizer, o grupo chegou a ter 30 elementos, depois foi reduzido a seis, e a quatro. De facto, quando obtivemos sucesso com o tema Nadar, éramos quatro. Tínhamos um DJ. Entretanto no álbum seguinte, já não era esse DJ… Mudamos de DJ, do DJ KGB para o DJ Soon. Neste álbum decidimos não incluir um DJ, mas os três MC’s continuam os mesmos.

Voltam para ficar, ou é um regresso de passagem?
Posso dizer, sinceramente, que a ideia é continuar a fazer música, agora em que termos… nunca se sabe, o futuro não se pode prever. Depende da forma como corram as coisas desta vez… mas a ideia é continuarmos juntos e conciliar o trabalho de grupo com os nossos projectos a solo. Será uma questão de conciliar a vontade e a disponibilidade de cada um. Em grupo é sempre mais complicado fazer as coisas, é preciso saber coordenar a vontade e o tempo de todos os elementos, enquanto que a solo só depende da vontade de um.

Então, mantêm-se os projectos a solo…
Sim, sim! Este ano já estou a preparar o meu novo álbum a solo...

E queres antecipar algumas informações acerca desse teu novo álbum.
Ainda está tudo nos segredos… (risos) em fase de composição e estúdio.

No que te inspiras para compor?
Ao contrário da generalidade, não gosto de ouvir a música dos outros quando estou a compor, para não me influenciar. Contudo, há situações inevitáveis, não estou isolado do resto do mundo... Mas quando chega à altura de compor, deixo de ouvir música, na tentativa de conseguir criar algo original e diferente. Inspiro-me em histórias da minha vida pessoal, em experiências… tento buscar inspiração na realidade, naquilo que acontece… normalmente falo de relações, tudo muito a ver com romance e com relações que acabam, que começam, que deviam de começar mas não começam…algumas coisas são baseadas na minha vida pessoal, outras na vida de pessoas conhecidas.

Abordaste a questão do aborto no teu álbum de 2005 (Chokolate), na música Estamos Sós, ainda a interrupção voluntária da gravidez era penalizada no nosso país. Que razões te levaram a explorar esse assunto?
Também já fui jovem e já passei por isso… e quis com essa música transmitir um bocado da luta pessoal e das decisões que às vezes se têm de tomar, e que são decisões difíceis, que vão influenciar o resto da nossa vida. Essencialmente, naquela música quis colocar-me no papel da mulher, a principal sofredora e vítima destas situações. E imaginar o que a vida poderia ter sido se não fosse tomada aquela decisão.

Já fez composições para uma série de artistas femininas – Gémeas, Nonstop, Diana Lucas, Just Girls. Como é escrever e trabalhar com mulheres?
É fixe (risos). É sempre diferente porque são só mulheres, mas já estou habituado e trabalha-se de uma forma muito fácil. Quer dizer, a experiência que tive com as artistas que referiste, foi sempre muito positiva. O caso mais difícil talvez tenha sido com a Diana, em que tive de escrever as letras de raiz de um álbum inteiro, o que me obrigou a encarnar no papel para que aquilo fizesse sentido.

Com quem te falta trabalhar?
Felizmente, quer em nome próprio, quer com os Black Company, já tive a oportunidade de trabalhar com muitos nomes. Do hip-hop já trabalhei com quase toda a gente; do R&B não há assim muita gente, mas dos novos valores não me importava de fazer qualquer coisa com o TT ou os Expensive Soul.

E vai acontecer?
Depende das músicas que eu tiver, porque eu escolho as pessoas com eu trabalho consoante aquilo que a musica precisa. Neste álbum faço intenções de ter alguns convidados, ainda não pensei em quem, mas eu tenho sempre muito gosto em fazer parcerias porque resultam sempre muito bem, e são uma mais valia para a música.

A Margem Sul está para Lisboa como Brooklyn para Nova Iorque?
(Pausa.) Agora nem tanto, mas já teve… Na Margem Sul foi onde nasceram, basicamente, os primeiros grandes nomes do hip-hop e também do rock. A margem Sul é sempre o ninho de muitos projectos e muitas coisas boas da música portuguesa. Sempre foi! E espero que continue a ser.

Diz-nos o que é importante para ti…
Importante para mim é: muita paz, muita saúde e o resto vem com trabalho e com esforço. É a gente fazer o que gosta, e as coisas podem demorar a acontecer mas quando fazemos aquilo que gostamos as coisas acabem sempre por acontecer.

Tuesday, February 17, 2009

POPSTAR.

Tudo começa em 2001, quando a SIC se inicia à procura das cinco raparigas que formarão A girlband. Tinha apenas 18 anos, quando Rita Reis (26) decidiu concorrer ao primeiro concurso de caça talentos em Portugal. A Nonstop de Almada aceitou abrir o álbum de recordações comigo, para um entrevista que pode também se lida ao adquirir o jornal SemMais, este sábado, com o Expresso.


Onde param as Nonstop?
Neste momento devem estar todas por casa (risos). As Nonstop param… na realidade, acho que não param! Apesar do grupo se ter desmembrado, o facto de sermos amigas faz com que o grupo não pare. Volta e meia fazemos um concerto ou alguém pede qualquer coisa e juntamo-nos para fazer isso. Acabámos por continuar juntas.

As Nonstop são imparáveis?
Dizem que sim.
…e a Rita?
A Rita às vezes é imparável, outras vezes não. Depende dos dias… e da disposição!

Tens saudades 2001?
Tenho. Tenho pena de não ter aproveitado aquilo como devia, mas, enfim, também era muito novinha…

Qual a melhor recordação que guardas desse tempo?
A nossa vida mudou muito, foi um choque muito grande aquela mudança, apesar de ser um choque positivo. Tenho saudades de… nós passamos muito tempo juntas, 24/24; e não tenho saudades das discussões - e, sim, havia discussões - mas tenho saudades das parvoíces e de passarmos esse tempo juntas. Elas são a minha melhor recordação e é disso que eu sinto realmente falta.

Depois de seleccionadas e para fugir à Comunicação Social, as vencedoras foram enclausuradas numa casa em Palmela. Como foi viver, durante esse período, com quarto raparigas desconhecidas?
Foi difícil. Muito difícil! Éramos e somos completamente diferentes, mas naquela altura, com 18 anos, éramos todas muito novas e realmente foi complicado porque estávamos naquela idade do armário, em que cada uma se fechava no seu armário e nenhuma queria sair. As personalidades eram realmente muito diferentes e por aí chocávamos sempre. Mas também gostamos muito umas das outras: era uma relação de amor/ódio.

Falava-se em internacionalização… inclusive, trabalharam com produtores de renome, responsáveis por êxitos como o das Spice Girls, Take That ou Celine Dion. O que falhou?
Falhou alguma coisa, isso falhou… falhou a capacidade de ir à luta, por parte das editoras. Não foi da nossa parte, acredita. Nós basicamente fazíamos aquilo que nos diziam para fazer. Se nos dissessem “agora vão para não sei onde e fazem não sei o quê”, era isso que fazíamos. Portanto, será da parte da editora; não houve força suficiente para ir com isso para a frente. Houve, realmente, a vontade de nos levarem lá, e do outro lado a vontade de nos terem, mas acabou por não acontecer. A preguiça é muita, e quando se junta custos com trabalho as editoras cortam-se.

E a Eurovisão…
As pessoas confundem a nossa participação no Eurofestival com uma tentativa de voltar a aparecer. Quando nos convidaram para defender o tema [“Coisas de Nada”] nós ainda ponderamos a oferta, sabíamos que as pessoas iam pensar que só queríamos protagonismo, mas, na realidade, a nossa intenção era e foi divertirmo-nos. Foi por isso que aceitamos. Depois ganhamos a final nacional [Festival RTP da Canção 2006] – não estávamos à espera – e fomos para a Grécia, onde ainda nos podemos divertir mais um bocado.

Tens feito colaborações regulares em projectos de R&B e Hip-Hop. Consideras-te mais urbana ou pop?
Eu se calhar nem sou Pop, nem Hip-hop ou urbana. Nesta fase da minha vida eu gosto muito de Blues, Soul e Funk. Mas obviamente, o Pop fez e faz parte da minha vida.

Há planos para uma carreira em nome próprio?
Poderia haver… mas também se houvesse não podia dizer, porque depois dava azar (risos).

É bom viver em Almada?
É óptimo viver em Almada. É o melhor local para se viver do mundo!